Na Mídia
1 de novembro de 2011Charque, de Marcelo Mirisola
Já está nas livrarias Charque (Editora Barcarolla), novo romance de Marcelo Mirisola. O escritor paulistano utiliza novamente o personagem em primeira pessoa para diluir a fronteira entre ficção e biografia. Charque ganha festa de lançamento nesta segunda, 31/10, na Mercearia São Pedro, tradicional ponto de encontro de escritores em São Paulo. Leia abaixo, entrevista com autor.
Charque é um romance-biografia. Como é isso na prática, em termos da narrativa do livro?
Um risco, sob todos os aspectos. Porque, além da terceira e da primeira pessoa, eu espalhei algumas “Notas do Autor” ao longo do romance… que podem ser a mistura, um complemento ou a negação da terceira e da primeira. O mais incrível é que, apesar desse imbróglio, o livro para de pé.
O livro foi escrito durante uma temporada morando no Rio de Janeiro. Como foi a experiência de morar nessa cidade?
Minha alma está espanada na Lapa, na Gomes Freire e naquilo que vocês — erroneamente — chamam de Rio Antigo. A experiência, portanto, não acabou…
Você interrompeu o trabalho como cronista do site Congresso in Foco para terminar Charque. E agora, vai retomar? Quais são seus planos?
Aos poucos vou retomando as crônicas, mas me desobriguei de escrever uma toda semana. Só quando dá na telha. A novidade é que vou escolher as melhores (são 136 escritas nos últimos três anos) e publicar um livrão, pela Barcarolla mesmo.
Por que esse título? O que tem a ver com o conteúdo?
Só lendo o livro… Se eu contasse ia estragar a surpresa.
Seu nome é freqüentemente associado a alguma polêmica. Isso te incomoda? Atrapalha ou ajuda?
Deve incomodar quem faz essas associações, eu não estou nem aí.
Você é considerado um dos mais criativos e talentosos escritores da literatura brasileira atual. Quais outros escritores admira? Por que?
Sou mesmo? Engraçado, na hora de repartir o butim ninguém lembra disso. Bem, não vou falar dos mortos. Porque a lista é imensa. Aos vivos! Tem muita gente de primeira escrevendo aqui no Brasil e agora: a começar pela Márcia Denser que já é um clássico. Os Brunos Bandido e o Azevedo, dois garotos cheios de fúria. Juliano Pessanha e o Nilo Oliveira que eu gostaria que escrevessem mais, o Ricardo Lísias que podia ser um pouco menos chato, e o Philip Roth que perdeu o Nobel mais uma vez. O Mario Bortolotto que precisaria se concentrar mais pra escrever contos como aquele último do DJ, canções pra tocar no inferno. Antonio Prata está com uma mão boa pra crônica, ah, claro, Reinaldão Moraes que é genial e o Furio Lonza que escreveu Crossroads e que, ainda em 2011 — pode anotar — vai surpreender muita gente.
Fonte: Sharid Produções Culturais - SP



