Na Mídia

1 de novembro de 2011

Marcelo Mirisola, um escritor que incomoda

Fonte: IG – SP

Marcelo Mirisola lança nesta segunda-feira, às 19h, na Mercearia São Pedro seu novo romance Charque, pela Editora Barcarolla, e com menu gastronômico e tudo: carne de sol desfiada puxada na manteiga com cebola. O tradicional point de escritores na Vila Madalena promete lotar ainda mais para receber o irreverente Mirisola que trocou São Paulo pelo Rio sem o ônus de perder os admiradores da sua literatura.

Sobre Charque

“É uma continuação, e não uma “releitura”, ele abomina esse termo do Azul do Filho Morto, e o melhor: ele não começa onde o Azul do Filho Morto terminou, mas a partir da primeira página. Trata-se, pois, da autobiografia de um reincidente, cuja vida e a obra, às vezes, coincidem ipsis-litteris com os poucos acertos e os muitos enganos que andei cometendo por aí”, afirma, irreverente e corajoso, como sempre.

Marcamos um papo com Mirisola, num dos ambientes, que ele mais gosta, e conversamos sobre toda sua trajetória, embalados por um bom vinho.

Conversas etílicas…

O escritor que já viveu em Florianópolis, São Paulo e agora no Rio, não economiza o verbo, nem na escrita na hora de falar do meio literário. Debochado, Mirisola fala nesse trecho de Memórias da Sauna Finlandesa, editora 34, da Flip, onde é persona non grata. “Cada vez, há menos escritores brasileiros. Não sei porque vão lá, acho que em busca de vale refeição!”. Brinca que ainda vai merecer ser entrevistado por Edney Silvestre.

Mirisola lê trecho de Memórias da Sauna Finlandesa

Desde pequeno, o Rio de Janeiro é um lugar proibido para um paulistano. Memórias trata muito disso daí porque não ir para o Rio de Janeiro e por que estabelecer as bases de todos os traumas, preconceitos, de todos os entraves da infância no Boqueirão em Santos. Memórias da Sauna Finlandesa não deixa de ser autobigráfico. “É um livro de contos que fala da água suja do Rio Pinheiros que um garoto de classe média alta bebeu nos anos 70 e 80. É o resultado disso tudo”, acrescenta Mirisola. Memórias é a história de um garoto filho de comerciantes prósperos em São Paulo, meio que caipira morrendo de medo do Rio de Janeiro. Um dia veio para cá, se apaixonou pelo Rio, teve um caso de amor no Rio de Janeiro, viveu isso tudo no Rio de Janeiro, levou um pé na bunda, e voltou para São Paulo triste, mas apaixonado pelo Rio…

… A história de um cara que bebeu a água suja do Rio Pinheiros e veio depois beber a água suja aqui de Copacabana.”


Fonte: IG - SP

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