Na Mídia

3 de novembro de 2011

Mundo marginal

Obra do dramaturgo Mário Bortolotto será tema de seminário e de leituras encenadas na Capital Mário Bortolotto dramaturgo, diretor e ator

Dez anos depois de apresentar no 8º Porto Alegre Em Cena a peça Nossa Vida Não Vale um Chevrolet, Mário Bortolotto volta à Capital para uma homenagem a sua obra. Com um seminário e um ciclo de leituras encenadas em bares da cidade, sempre com entrada franca, a programação vai reaproximar o dramaturgo, ator e diretor de um público que teve poucas oportunidades de assistir a seu teatro.

Nascido em Londrina e radicado em São Paulo, Bortolotto, 49 anos, é autor de peças sobre sujeitos que se encontram de alguma forma à parte na sociedade. Boemia, sexo e uma certa nostalgia percorrem suas cenas. Pela afeição a personagens marginalizados, já foi comparado a Plínio Marcos.

O início foi em 1982, com o grupo Chiclete com Banana, depois rebatizado de Cemitério de Automóveis. Recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) pelo conjunto da obra em 2000 e, no ano seguinte, o Prêmio Shell de melhor autor por Nossa Vida Não Vale um Chevrolet.

Em um episódio que causou comoção no meio cultural, Bortolotto foi baleado em dezembro de 2009 em um assalto ao Espaço Parlapatões, em São Paulo. Em estado grave, teve de ser submetido a cirurgia e foi internado na UTI da Santa Casa de Misericórdia da cidade. A volta aos palcos foi em março de 2010, com Música para Ninar Dinossauros, sobre três quarentões que reveem seus sonhos de juventude.

As leituras em Porto Alegre serão realizadas por quatro dos principais grupos da cidade: Santa Estação, Cia. Rústica, Teatro Sarcáustico e Cia. Stravaganza, que planeja para março de 2012 uma montagem de Nossa Vida… com direção de Adriane Mottola e trilha sonora de Nei Lisboa e Bortolotto.

Idealizado pela atriz e produtora Morgana Kretzmann, o projeto pretende diminuir a distância entre o dramaturgo e os gaúchos. Em 2002, o grupo Depósito de Teatro apresentou a peça Uma Balada Podre, que reunia trechos de suas peças, e em 2004 encenou Medusa de Rayban. Bortolotto, por sua vez, produziu três adaptações de livros de autores da extinta editora gaúcha Livros do Mal (Daniel Galera, Daniel Pellizzari e Cristiano Baldi) que não foram apresentadas no Estado.

Bortolotto estará em Porto Alegre para o seminário do projeto, amanhã e sexta-feira. No sábado, às 20h, ele lançará na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre a reunião de contos DJ – Canções pra Tocar no Inferno (Barcarolla).

fabio.pri@zerohora.com.br
FÁBIO PRIKLADNICKI


Fonte: Zero Hora - RS

Twitter Flickr Facebook