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Livro reúne artigos da nova geração de pensadores franceses sobre a obra de Nietzsche

Ficha Técnica

Nietzsche, um “francês” entre franceses
Vários autores
Scarlett Marton (org.)
Editora Barcarolla e Discurso Editorial (coedição)
R$ 36,00
200 páginas
Lançamento: setembro / 2009
ISBN: 978-85-98233-44-4

A respeito da recepção de sua obra, Nietzsche (1844-1900) afirmou certa vez: “Com exceção da Alemanha, em toda outra parte tenho leitores”. E se houve um lugar em que teve uma pródiga acolhida, este lugar foi a França, pela qual o filósofo não escondia sua simpatia -chegou a dizer, em um fragmento póstumo, que gostaria de ter escrito em francês. Já na passagem do século 19 para o 20, André Gide afirmava: “Esperávamos Nietzsche bem antes de conhecê-lo”. Na mesma época, dizia Jules Gaultier, que “o pensamento de Nietzsche é de inspiração nitidamente francesa”.

O título “Um ‘francês’ entre os franceses”, organizado pela professora da USP Scarlett Marton, uma das mais importantes especialistas em Nietzsche, se justifica, portanto, pela influência, que foi recíproca, exercida pelo filósofo alemão em várias gerações de pensadores franceses de vários matizes. É a própria Marton quem reconstitui tal recepção de Nietzsche na França, dos primeiros tempos até a atualidade, no primeiro texto, “Voltas e reviravoltas”. “É sobretudo na França que Nietzsche quer ser lido. Se ele reivindica proximidade com os franceses, não é apenas por pretender diferenciar-se de seus conterrâneos. Sua predileção por esse país se deve, entre outras razões, ao fato de considerar que ele possui ‘superioridade cultural sobre a Europa’, pois seus habitantes chegaram a uma ‘síntese bem sucedida do norte e do sul’”, explica a organizadora.

Não são raras as vezes em que, segundo Marton, o pensador alemão afirma “sentir-se mais em casa com os franceses, com sua cultura e linguagem, do que com os alemães”. Tampouco são raras, acrescenta ela, aquelas em que declara preferir a companhia filosófica de La Rochefoucauld, por exemplo, à de Leibniz, Kant ou Hegel.  “É bem verdade que certa tradição intelectual francesa, que se inicia com Montaigne e passa por Pascal, La Rochefoucauld e Voltaire, chegando a Stendhal, preparou indiretamente a recepção dos textos de Nietzsche na França. Mas também é fato que, tendo elaborado algumas de suas concepções em contato com as ideias de Baudelaire, Bourget, Taine e Renan, autores contemporâneos seus, ele pode aparecer para os leitores franceses ao mesmo tempo como familiar e estrangeiro, conhecido e exótico”, conta Scarlett Marton.

Na França, Nietzsche foi lido e “visto” em diferentes versões: como anarquista, reacionário, autoritário, epicurista, esteta, cético, trágico, visionário, agnóstico, metafísico, entre tantas outras. “Nenhuma posição no campo intelectual está em condições de apropriar-se dele com exclusividade. É um autor que aparentemente se pode compreender de maneira bem diversa e até mesmo oposta; daí, a aparição de imagens contraditórias e simultâneas”. Sucessivas gerações de intelectuais têm sua atenção despertada por Nietzsche: Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Paul Nizan, Henri Lefevre, Georges Bataille, Albert Camus, Andre Malraux, Maurice Blanchot, Gaston Bachelard, Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Michel Foucault.

Nas últimas décadas do século 20, diz Marton, a recepção francesa do pensamento nietzschiano revela uma grande variedade. Tal diversidade se explica, ao menos em parte, pelo fato de que são pesquisadores de diferentes áreas que se ocupam com o filósofo. “Como todo clássico, Nietzsche se tornou inesgotável; fala-se muito sobre ele, mas também através dele se fala sempre de outra coisa”, explica a organizadora. ”Nietzsche se põe hoje, sobretudo, como um objeto de estudo dos mais intrincados e complexos e, por isso mesmo, dos mais ricos e instigantes”

Neste volume organizado por Scarlett Marton, encontram-se reunidos textos de Éric Blondel, Patrick Wotling, Blaise Benoit, Céline Denat e Yannis Constantinidès, que, em diferentes momentos, ela ajudou a introduzir ao público brasileiro.  Blondel é autor de “Nietzsche: a vida e a metáfora”; Wotling, de “As paixões repensadas: axiologia e afetividade no pensamento de Nietzsche”; Benoit, de “Meio-dia: instante da mais curta sombra”; Denant, de “Nietzsche, pensador da História? Do problema do “sentido histórico” à exigência genealógica; e Constantinidès, de “O niilismo extático como instrumento da grande política”.

Sobre a organizadora

Scarlett Marton é professora titular de Filosofia Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP). Formou-se em Filosofia pela USP; prosseguiu seus estudos na Sorbonne; defendeu o doutoramento e a livre-docência em Filosofia na USP; fez pós-doutorado na École Normale Supérieure de Paris. Publicou e organizou diversos livros sobre Nietzsche, além de artigos em diversos países. Fundou o GEN – Grupo de Estudos Nietzsche e é editora-responsável pelos Cadernos Nietzsche.

Mais informações para a imprensa com
Ivani Cardoso – ivanicardoso@lufernandes.com.br
Marcelo de Andrade – marcelo@lufernandes.com.br

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